Recentemente a Política Externa de Lula recebeu críticos de analistas e diplomatas ligados ao grupo que chefiou o Itamaraty durante o governo FHC. As críticas são na verdade faces da mesma moeda. Uma crítica é de que há um viés anti-americanista e terceiro-mundista nas relações exteriores praticadas pelo governo Lula, a outra é que o Brasil seriam muito condescendente com os vizinhos Venezuela e Bolívia.
Para entender estas críticas, é preciso primeiro entender quem as faz. São diplomatas, acadêmicos e jornalistas ligados ou que apenas se identificam com o Embaixador Celso Lafer, ministro das relações exteriores durante os anos FHC. Lafer e seus seguidores acreditavam que com a simples adesão aos regimes internacionais pretendidos pelos EUA (como TNP e ALCA), teríamos a simpatia da potência hegemônica para conseguir um assento no CS, uma vaga na OCDE e assim a entrada automática do Brasil no grupo dos países desenvolvidos. Também é possivel identificar uma visão benigna das relações internacionais, onde os conflitos internacionais e a política de poder haviam sido substituídas, com o fim da Guerra Fria, pela cooperação internacional.
Como conseqüência dessa leitura de mundo, a linha da política externa de Lafer variou entre o Globalismo Grotiano e o Americanismo Ideológico, conforme classificação corrente da política externa brasileira(PINHEIRO). Exemplos de iniciativas que corroboram com essa caracterização são a adesão ao TNP, algo que o Brasil sempre repudiou por ser um congelamento de poder, a invocação pelo Brasil do TIAR depois do 11 de setembro, a relutância do Itamaraty em abrir contenciosos agrícolas contra os EUA e a caminhada que o Brasil fazia rumo à assinatura da ALCA.
Com esse histórico, não se admira que se enxergue antiamericanismo na atual política externa, já que o Brasil, a despeito do bom relacionamento com Washington, não se furta a criticar a postura norte-americana seja na luta contra o terrorismo, que culminou com a invasão ilegítima do Afeganistão e do Iraque, como também na esfera comercial, com a crítica aos subsídios e os sucessivos painéis contra os americanos na OMC. Com essa postura, o Brasil se fortaleceu politicamente e hoje é um interlocutor imprescindível nas negociações comerciais e também na esfera política. Não é por coincidência que praticamente no mesmo dia, Lula recebe a visita de dois chefes de Estado importantes no mundo, que são o Presidente da Alemanha, o país mais poderoso da Europa, e os Estados Unidos.
Também são recorrentes as críticas de que o Brasil adota uma postura terceiro-mundista. Esquecem-se de que talvez tenha sido a aproximação que o Brasil fez com os paises em desnvolvimento a responsável pela liderança que o País exerce sobre o G-20, que é reconhecido até pelos países desenvolvidos como a maior conquista dos países em desenvolvimentos na atual negociação da OMC. Com o G-20, os países em desenvolvimento conquistaram o direito de serem ouvidos e influenciar decisivamente sobre as propostas negociadoras, o que era impensável nas Rodadas anteriores.
Na América Latina, o Brasil é acusado de ser chavista e de ter consentido com a entrada da Venezuela no Mercosul por considerações políticas. Críticas infundadas, dado o peso das compras venezuelanas nas exportações do Brasil (maiores que as da França e só menores que as da Argentina na América do Sul), sem contar o papel da Venezuela na área energética e logística. Logo, a entrada da Venezuela no Mercosul não pode ser entendida apenas como um gesto político como muitos pretendem.
Outra crítica é o Acordo do Gás com a Bolívia, que lembra muito a oposição que sofreu o Barão do Rio Branco por ter negociado com a mesma Bolívia a compra do território do Acre. Por certo, esses críticos diriam que o Barão deveria ter "endurecido" com a Bolívia e tomado seu território sem nenhuma compensação...Da mesma forma que hoje se aplaude o desempenho do Barão do Rio Branco na questão do Acre, certamente o Acordo do Gás da Bolívia será elogiado no futuro por garantir o suprimento desse insumo para a indústria nacional.
Não distinguir o discurso da prática é um erro primário para quem quer compreender a política ou as relações internacionais. Pode até ser que o governo por vezes adote uma retórica anti-americanista e terceiro mundista, mas ela é voltada para um público interno, já que o Partido no poder identifica-se com as posições de esquerda e tem forte penetração nos movimentos sociais, notoriamente antiamericanistas.
Na prática, Lula e Celso Amorim cativam um excelente relacionamento com os Estados Unidos( haja vista as inúmeras visitas de representantes do governo norte-americano ao governo brasileiro, culminando com a visita do Presidente Bush), ao mesmo tempo em que mantêm um diálogo estreito com líderes como Hugo Chaves e Evo Morales. A melhor caracterização da política externa de Lula seria com o Pragmatismo Responsável de Geisel, buscando alianças com diversos parceiros em todos os continentes sem, contudo, afrontar a grande potência mundial. Para não enxergar isso, é preciso estar cego, por burrice ou por ciúmes.
Dizem que brasileiro não pode viajar para fora do país que já volta com sotaque...Que bom seria que além de adquirir sotaque, eletroeletrônicos e bugigangas em geral, também adquirisse hábitos civilizados. Tudo bem que a Suíça é extravagante até para países desenvolvidos, mas lá há muitos exemplos de civilidade que bem nos serviriam: os donos de cachorros recolhem os excrementos dos animais, até quando estes defecam na grama, algo que causaría espanto até no Lago Sul. Outro exemplo: se Braslía se orgulha de respeitar a faixa de pedestre (como se fosse algo de extraordinário numa cidade que há mais carros do que gente nas ruas), lá os carros param em qualquer cruzamento mesmo quando estão em conversão. Um último: os ônibus não têm cobradores e cabe a cada um retirar sua passagem numa máquina ou andar com um passaporte próprio. Ok, alguém pode dizer que lá há uma multa pesada para o caso de ser pego sem a passagem dentro do ônibus mas alguém acreditaria em multa pra pedestre no Brasil? Bem, estes são apenas alguns dos exemplos. O que há de mais importante lá é a preocupação com o bem público: Estado e cidadãos se esmeram em cuidar do patrimônio público inclusive chamando a atenção de transgressores. Nada mais efetivo que o controle social para coibir atos anti-sociais...Ainda continuo com minha tese de que o pior do Brasil são os brasileiros...
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